Professora mineira fala sobre a experiência de vencer um dos importantes prêmios literários do país

ana_premio-jpg_140250411A escritora e professora do curso de Letras do CEFET-MG, Ana Elisa Ribeiro, conquistou o prêmio de melhor livro de poesias na categoria “Violeta Branca Menescal” do concurso “Prêmios Literários Cidade de Manaus” de 2016. Trata-se de um dos mais importantes prêmios da literatura brasileira.

O concurso foi organizado pela Prefeitura de Manaus e pelo Conselho Municipal de Cultura e contemplou gêneros como crônicas, novelas, memória, contos, entre outros.

MFC: O que é esta nova obra de Ana Elisa Ribeiro?

AER: O livro Álbum, na verdade, ainda não é um livro. É um original com poemas produzidos com base na ideia de que as fotos de família já são poemas. Tenho uma relação muito afetiva com a fotografia de família, com a fotografia como arte ou como dispositivo de memória, então resolvi fazer isso pensando nas fotos que mais me impactam. Fotos de verdade, do álbum que minha mãe construiu com cuidado e orgulho, e algumas fotos imaginárias. Há poemas também sobre o fotógrafo e outros sobre a relação tecnológica que temos tido com a fotografia e o ato de fotografar, entre o analógico e o digital. Como o prêmio Cidade de Manaus exigia o ineditismo da obra, estou preferindo ainda não publicar poemas. Vou aguardar. Enquanto isso, os textos vão marinando.

MFC: A partir deste reconhecimento, que você descreve como dos mais importantes que já recebeu, você pretende participar mais de concursos e prêmios ?

AER: Para mim, sim, é dos mais importantes da minha vida literária, que não é lá uma vida premiada. Este Álbum é uma experiência interessante porque tem uma pegada meio diferente do que eu vinha fazendo nos meus livros anteriores, já publicados. É um acontecimento sobre o qual ainda estou pensando. Não sou de participar de prêmios. Ou porque tenho preguiça da burocracia, ou porque simplesmente não tenho textos suficientes para submeter, ou porque exigem ineditismo e já queimei tudo, ou porque sempre acho que minha poesia não tem “jeito de ganhar prêmio”. Tem isso, sabe? Mas rolou. Não sei se participarei de mais concursos. Este foi um caso específico. Um “projeto”. Não me preocupo muito com prêmios. Minha preocupação é me manter escrevendo e publicando. Nem sempre o prêmio quer dizer que vamos publicar. No caso do Álbum, quero vê-lo se transformar em livro mais adiante.

MFC: Como é a conciliação da vida de escritora, com a vida de professora e pesquisadora?

AER: Dei um jeito de que essas coisas fossem a mesma coisa na minha vida. Não distingo muito. As pessoas é que distinguem. Às vezes, me fazem pensar que vivo uma espécie de vida dupla. Mas não sinto assim. Sendo professora-pesquisadora, preciso escrever. Amo escrever. Não me importa se é um artigo científico ou um poema. São distintos como gênero, é claro, mas minha dicção está lá. Gosto muito das duas coisas. E elas estão conciliadas e pacíficas em mim.

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