Tecnologia a serviço da educação brasileira

Texto: Tatiana Nepomuceno

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Créditos da imagem: Renato Araújo

Já há algum tempo que o modelo tradicional de educação no Brasil merece ser questionado e reinventado. Com tantas alternativas tecnológicas gratuitas e o crescente aumento da utilização da internet pelos jovens e as inúmeras possibilidades de seu emprego, não é cabível continuar com o modelo de ensino tradicional e enrijecido praticado atualmente.

Nesse sentido, é cada vez mais visível a necessidade de mudança no modo de lecionar e essa foi a proposta da palestra A Disrupção na Educação através da Tecnologia, apresentada durante a Campus Party, em Belo Horizonte. Na apresentação, proferida pelo fundador da Academia Jedi Centro de Treinamento de Tecnologia, Miquéias Lopes, falou-se sobre os três principais problemas enfrentados e que impedem o desenvolvimento sistêmico do indivíduo e assassinam talentos humanos desde o Ensino Fundamental até a Universidade.

Ensino Analógico, foco no destino e não no trajeto e a falta de trabalhar as habilidades digitais dos alunos. Essas foram as principais falhas apontadas pelo palestrante. “De acordo com pesquisa realizada pela revista Escola, em 2015, cerca de 93% dos alunos da rede privada e 66% da rede pública do Brasil utilizam smartphones. Esses dados revelam o potencial enorme e não utilizado das mídias sociais para o ensino”, explica. Para Lopes existe um muro enorme entre a escola e a utilização da internet, um receio por parte dos professores de perda de mercado e isso é uma falácia. “A internet é amiga do sistema de ensino, é preciso romper esse muro e utilizar do que é gratuito para complementar as aulas ministradas pelos professores”, complementa. E mais, é preciso ter ciência de que as crianças estão conectadas, trabalhar as habilidades digitais delas e prepará-las para se protegerem do mundo virtual e não fingir que essa realidade não existe.

De acordo com Lopes, outro problema é a miopia social. A sociedade tem uma tendência de achar que quem tem sucesso é quem tira as melhores notas, faz uma faculdade e continua em um caminho reto e sem curvas. É preciso ir além, pensar fora da caixa e enxergar que os talentos não se limitam às áreas de exatas, humanas e biológicas e que essas áreas podem ser interligadas.

Foi exatamente isso que fizeram os estudantes de Engenharia Eletrônica da PUC Minas, Ricardo Alcântara e Jéssica Soares. Além da palestra, o estudante também participou de um curso sobre o desenvolvimento da criatividade durante o evento. “Não é porque você é de Exatas que a solução do problema está exclusivamente na área de Exatas e a palestra proferida por Lopes me fez perceber isso e ver que as coisas já estão aí ao nosso alcance, basta você saber utilizar a tecnologia a seu favor”, fala Ricardo. Para Jéssica a palestra foi uma surpresa. A estudante imaginava que seria somente mais uma dentre tantas apresentações didáticas, mas não. Jéssica percebeu a necessidade de adequação dos professores para a utilização da tecnologia a favor do ensino e o compartilhamento de ideias.

Dicas gratuitas de Lopes:

Tenha um social media nas escolas para:
o Postar conteúdo relevante e de acordo com a série da criança;
o Moderar o assunto e encaminhar as perguntas aos professores para resposta e interação;
o Promover Hangouts;
o Criar grupos no facebook;
o Compartilhar vídeo, blog e podcast;
o Criar uma espécie de agenda virtual, lembrando de datas importantes, como provas;

Texto: Tatiana Nepomuceno